Em decorrência da suposta falta de dinheiro, o governador não cumpriu nem lei estadual de 2017 e acordo judicial com a Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), que previa reajuste de 4,17% nos salários dos 18 mil professores das escolas estaduais.

A crise quase levou o Hospital Regional em Campo Grande ao colapso. O Ministério Público Estadual se viu obrigado a entrar na Justiça para obrigar o Governo do Estado a comprar remédios para a unidade hospitalar. As farmácias estavam sem vários itens e médicos relataram que foram ao desespero ao descobrir a falta de medicamento e material hospitalar com o paciente na mesa de cirurgia.

Confira os gastos no primeiro semestre

Empresa 2018 2019
Agência R 2.381.996,25 659.540
Agência S 964.487,50 916.486,25
Agência C 1.709.308,25 2.665.343,75
Agência O 1.104.407,30 3.669.838,05
Agência N 2.076.391 2.135.370,50
Agência B 1.902.537,40 4.791.110,70
Agência T 3.189.999,80 2.747.533,56
Agência A 2.630.685,90 2.594.226,75
Agência L 1.708.312,50 1.510.975,60
AgÊncia C2 2.719.668,21 4.141.617,98
Total 20.387.794,11 25.832.043,14
Fonte: Portal da Transparência

Só que esta crise não passou perto dos gastos com comunicação. De 1º de janeiro a 25 de junho deste ano, o total desembolsado com publicidade foi de R$ 25,832 milhões. O valor representa aumento de 26,7% acima dos R$ 20,387 milhões empenhados no mesmo período do ano passado.

O total investido em campanhas publicitárias teve aumento cinco vezes superior à inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,66%, conforme o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE. É o índice oficial usado pelo Banco Central.

Reinaldo elevou o gasto com comunicação depois da Operação Aprendiz, deflagrada em 14 de fevereiro deste ano pelo Ministério Público Estadual, que apura o desvio de R$ 1,6 milhão dos cofres estaduais.

Uma das agências investigadas, a Think Service Design Ltda, teve o contrato prorrogado por mais seis meses em maio deste ano. Conforme o Portal da Transparência, a empresa vai receber R$ 2,747 milhões no primeiro semestre deste ano, redução de 13,8% em relação ao repassado no mesmo período de 2018, quando recebeu R$ 3,189 milhões.

Conforme o contrato firmado pela Secretaria Estadual de Governo e Gestão Estratégica em 2015, o gasto com publicidade pode chegar a R$ 35 milhões por semestre. Na prática, o governador desembolsou menos do que o previsto no contrato.

Durante protesto na frente da casa do governador, policiais cortaram bolo para lembrar um ano sem promoções (Foto: Arquivo)

O problema é que Reinaldo vem enfatizando a crise nas contas estaduais. Em abril passado, quando começou a negociação com os sindicatos, ele ameaçou tirar o abono de R$ 100 a R$ 200 de 37,7 mil servidores, porque o Governo não tinha dinheiro para manter o benefício.

O Governo manteve o abono por mais 12 meses, mas anunciou reajuste zero para os 75 mil servidores. De acordo com o tucano, que se converteu em profeta do apocalipse, há risco até de atraso no pagamento de salários no segundo semestre por falta de caixa.

Outra medida amarga, em decorrência da crise, é a volta da jornada de oito horas após 15 anos. Desde 2004, servidores cumprem jornada de seis horas.

Reinaldo adotou o PDV (Programa de Desligamento Voluntário) para reduzir o gasto com pessoal. Só que, de novo por falta de dinheiro, o Governo vai parcelar a indenização.

O tucano ainda foi ao Supremo Tribunal Federal defender a proposta que permite a redução da jornada para diminuir o salário do trabalhador. A proposta seria adotada para adequar a folha ao limite estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mato Grosso do Sul estourou o limite prudencial e pode recorrer a esta medida, caso seja permitida pelo STF.

O tucano segue a risca o ditado popular de que a propaganda é a alma do negócio.