O novo benefício só teve três votos contra na sessão desta terça-feira: dos deputados Cabo Almi e Pedro Kemp, do PT, e do Capitão Contar (PSL). Dois parlamentares se ausentaram da sessão: Felipe Orro (PSDB) e João Henrique (PL). O presidente, Paulo Corrêa (PSDB), só vota em caso de desempate.

“Não importa se o recurso está previsto no duodécimo do TJ – ao meu ver, continua sendo recurso público e temos outras prioridades muito mais urgentes, como a saúde e a segurança pública. Votei contra. É imoral”, justificou Contar.

Veja quem votou a favor do reajuste

Antônio Vaz (Republicanos) Lucas de Lima (SD)
Barbosinha (DEM) Marçal Filho (PSDB)
Coronel David (PSL) Márcio Fernandes (MDB)
Eduardo Rocha (MDB) Neno Razuk (PTB)
Evander Vendramini (PP) Onevan de Matos (PSDB)
Gerson Claro (PP) Professor Rinaldo (PSDB)
Herculano Borges (SD) Renato Câmara (MDB)
Jamilson Lopes (PDT) Zé Teixeira (DEM)
Lídio Lopes (Patri) Londres Machado (PSD)

Com a aprovação em segunda votação, o projeto de lei segue para sanção do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). O impacto no gasto com pessoal será de aproximadamente R$ 600 mil por mês – R$ 7,8 milhões por ano.

Os 210 juízes e desembargadores sul-mato-grossenses receberam, no ano passado, salário médio de R$ 85.745 por mês. De acordo com o CNJ, este valor é o maior pago a um magistrado no País, superando inclusive locais como Distrito Federal e São Paulo, onde o custo de vida é maior e até cortes superiores, como STF e STJ.

O painel com o placar: 18 deputados votaram a favor do reajuste de 20% nos salários dos juízes (Foto: Divulgação)

O problema é que a população sente na pele a falta o reflexo da falta de dinheiro na saúde, por exemplo. Os servidores do HR tinham aprovado greve a partir deste terça-feira. Eles alegam falta de condições de trabalho e sobrecarga de trabalho em decorrência da falta de pessoal. Há caso de paciente só tomar banho a cada dois dias em decorrência da sobrecarga dos técnicos de enfermagem.

No entanto, a paralisação foi suspensa por determinação do TJMS. O desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte concedeu liminar proibindo o início da greve a pedido do governador. O Sintss (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social) fica sujeito a multa diária de R$ 50 mil.

A falta de dinheiro não se reflete apenas na insatisfação dos trabalhadores. No fim de semana, os jornais e sites noticiaram que os elevadores do hospital pararam de funcionar por falta de manutenção. Houve caso de paciente ter ficado trancado dentro de um elevador. Outro morto teve que ser retirado pelo Corpo de Bombeiros pelas escadas.

O mais irônico é que o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, disse que não tinha conhecimento do problema. Em entrevista aos jornais, ele disse que nunca foi comunicado da falta de manutenção nos elevadores do HR.

Em Mato Grosso do Sul, enquanto a população sente os reflexos da falta de recursos financeiros, outra vive no primeiro mundo.