Sexta, 05 de Junho de 2020 20:44
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coronavírus hidroxicloroquina

Bolsonaro pede à laboratório do Exército que amplie produção de hidroxicloroquina

Medicamento mostrou resultados promissores em testes para tratamento contra o coronavírus. Pessoas que precisam do remédio reclamam de falta em farmácias

21/03/2020 20h50 Atualizada há 2 meses
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Por: Redacao Fonte: Renan Truffi, Valor — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado que se reuniu com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e determinou que o laboratório químico e farmacêutico do Exército amplie imediatamente a produção da hidroxicloroquina, medicamento que mostrou resultados promissores em testes para tratamento contra o coronavírus. Apesar disso, ainda não há provas de sua eficácia.

 

Ao fazer o anúncio, por meio de um vídeo nas redes sociais, Bolsonaro repete a estratégia do presidente norte-americano, Donald Trump. A repercussão desse tratamento ganhou força justamente depois de Trump pedir agilidade ao FDA, o órgão fiscalizador e de vigilância sanitária dos EUA, na liberação da indicação do medicamento para o novo coronavírus.

 

O presidente americano tem como base um estudo feito na França em que o remédio foi testado em 24 pacientes e, nesta amostra, teve bons resultados de eficácia.

Os pronunciamentos otimistas de Trump provocaram uma corrida pelo remédio nos Estados Unidos antes mesmo que os testes sejam concluídos e seus efeitos comprovados. O produto está esgotado em várias redes de farmácias norte-americanas, o que também aconteceu em algumas cidades brasileiras.

Nas redes sociais, já há pessoas que precisam tomar a medicação para tratamento de reumatismo, por exemplo, reclamando da dificuldade de encontrar o medicamento em farmácias.

No vídeo, Bolsonaro também menciona o fato de a farmacêutica EMS, em conjunto com o Hospital Albert Einstein e outras instituições de saúde, terem iniciado estudos clínicos sobre a hidroxicloroquina, no tratamento da covid-19. A farmacêutica é quem produz esse remédio no país, indicado para o tratamento de lúpus e malária.

 

Pelo estudo francês, há indícios de que esse medicamento reduziu a carga viral nos pacientes em um tempo menor. Mas, temos que fazer testes clínicos aqui no Brasil para avaliar os efeitos na população brasileira. E isso, vamos fazer em conjunto com o Hospital Albert Eistein e outras instituições determinadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Estamos no processo final para definir o protocolo dos estudos. A expectativa é que os estudos se iniciem

O início dos testes depende da permissão da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), órgão ligado ao Conselho Nacional de Saúde. A expectativa é que a autorização ocorra em até 30 dias. "Tenhamos fé que, em breve, ficaremos livres desse vírus", disse o presidente.

Por fim, Bolsonaro disse que o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, determinou ainda que a hidroxicloroquina não pode ser vendida a outros países porque "esse medicamento também é usado no Brasil".

 

Ministério da Saúde

 

Após Bolsonaro anunciar produção de hidroxicloroquina, Ministério da Saúde pediu que pessoas não se automediquem, ou seja, não façam uso da hidroxicloroquina por conta própria e sem orientação médica.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira, explicou que o medicamente tem tido resultados promissores apenas quando associado a outros medicamentos e, ainda assim, necessita de mais teses para que se comprove sua eficácia contra o novo coronavírus (Covid-19).

 

"É muito importante que as pessoas não se automediquem. O uso da hidroxicloroquina ocorre associado a outros medicamentos e tem que ser recomendado por um médico. É recomendado que não se utilize esse medicamento para casos que não estão previstos na bula até que se tenha uma orientação finalística", disse.

 

A recomendação foi feita horas depois de Bolsonaro usar as redes sociais para anunciar a ampliação da produção do remédio no laboratório químico e farmacêutico do Exército.

(Esta reportagem foi publicada originalmente no Valor PRO, serviço de informações e notícias em tempo real do Valor Econômico)

 

 

 

 

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